domingo, 22 de novembro de 2020

O guarda alemão

Corrie ten Boom, conhecida oradora e autora, esteve prisioneira, durante a II Grande Guerra, em um campo de concentração alemão, sofrendo muito nas mãos de um dos guardas alemães. 

Anos mais tarde, um dia, testificou sua alegria no Senhor, numa reunião na Alemanha do após guerra. Depois do encontro, enquanto algumas pessoas conversavam com ela, aquele mesmo guarda alemão aproximou-se de Corrie e lhe pediu que o perdoasse. 

Num clarão de reconhecimento, ela se lembrou da dor e da angústia sofridas na prisão, por causa daquele guarda. Agora, ele ah estava, à sua frente, pedindo-lhe misericórdia. E aquele que não merecia, recebeu o perdão. Triunfou a misericórdia!

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Reencontro

Depois de me tornar presidente, pedi a alguns membros da minha escolta para ir passear pela cidade. Após o passeio, fomos almoçar num restaurante.
 
Sentamo-nos num dos mais centrais, e cada um de nós pediu o que lhe apetecia. Depois de um tempo de espera, apareceu o empregado trazendo os nossos menus. Foi aí que eu percebi que na mesa que estava na nossa frente, havia um homem sozinho, a espera de ser atendido.
 
Quando foi servido, eu disse a um dos meus soldados: "Pede aquele senhor que se junte a nós. O soldado foi e transmitiu-lhe o meu convite. O homem levantou-se, pegou no prato e sentou-se ao meu lado."
 
Enquanto comia as suas mãos tremiam constantemente e não levantava a cabeça do seu prato. Quando terminamos, ele despediu-se de mim sem olhar, apertei-lhe a mão e partiu.
 
O soldado comentou: "Madiba, esse homem devia estar muito doente, já que as suas mãos não paravam de tremer enquanto comia."
 
- Não, não estava doente! A razão dos seus tremores é outra. Eles olharam para mim de forma estranha e eu expliquei-lhes:
 
"Aquele homem era o guarda da minha cela na prisão onde eu estava; muitas vezes, depois das torturas a que me submetiam, eu gritava e chorava pedindo um pouco de água, ele vinha, humilhava-me, ria-se de mim e em vez de me dar água, urinava na minha cabeça."
 
Não, ele não estava doente, estava assustado e tremia talvez porque esperava que eu, agora que sou presidente da África do Sul, o mandasse prender e lhe fizesse o mesmo que ele me fez; torturá-lo e humilhá-lo. Mas eu não sou assim, essa conduta não faz parte do meu caráter, nem da minha ética. Mentes que procuram vingança destroem estados, enquanto as que procuram a reconciliação constroem nações"
 
(Nelson Mandela)
Fonte: Entrevista ao diário londrino The Observer, na sua casa de Cape Town em 2007.