sábado, 2 de novembro de 2013

Milho, pipoca e piruá


Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. 

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também. 

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que esta sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado. 

Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras, a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.

O bate-boca das ferramentas


Conta-se que na carpintaria certa vez houve uma estranha assembléia. Foi um verdadeiro bate-boca pra acertar diferenças.

Um martelo exerceu a presidência, mas os participantes lhe notificaram que teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho; e além do mais, passava todo o tempo golpeando. O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo. 

Diante do ataque, o parafuso concordou, mas por sua vez, pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atritos.

A lixa acatou, com a condição de que se expulsasse o metro que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fora o único perfeito.

Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e as ferramentas e iniciou o seu trabalho. Utilizou justamente o martelo, a lixa, o metro e o parafuso. Finalmente, a rústica madeira se converteu num fino móvel.

Quando a carpintaria ficou novamente só, a assembléia reativou a discussão. Foi então que o serrote tomou a palavra e disse:

- Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro não trabalha com os nossos defeitos, mas, sim, com as nossas qualidades, com nossos pontos fortes. Assim, proponho abandonarmos esta discussão e nos concentrarmos a fazer com esmero aquilo que sabemos fazer bem.

A proposta foi aceita por unanimidade. Naquele dias as ferramentas começaram a se enxergar como uma verdadeira equipe, que unida num mesmo propósito é capaz de produzir coisas belas e úteis nas mãos do hábil carpinteiro.

Um momentinho


Jovem advogado, recém formado, monta um escritório e enche-se de esperança para começar a carreira. Quando quase tudo já está no lugar, logo nas primeiras horas do primeiro dia, entra um homem na sua sala de espera. Como a porta entre os dois ambientes estava meio aberta, ele resolveu impressionar seu primeiro cliente. Retirou o telefone do gancho, fingiu discar para alguém e começou a falar em voz alta:

 - Sim, senhor, pode ficar tranqüilo... não, não... nunca perdi uma ação.

 - Não, senhor, não é demorado. Vamos agilizar o processo. Conheço as pessoas certas. 

E, assim, ele continuou por alguns minutos. Enquanto isso, com a mão direita espalmada para frente, fazia sinais ao seu cliente, pedindo-lhe que aguardasse um pouco. 

Recolocou o telefone de volta na aparelho, dirigiu-se à recepção e perguntou:

- Em que posso ajudá-lo, meu amigo?

- Sou da companhia telefônica, respondeu o homem, vim ligar o telefone.

Vida após a morte

O patrão pergunta para um de seus novos funcionários:

- Você acredita em vida após a morte?

- Sim, respondeu o rapaz.

- Que bom, disse-lhe o patrão.

- Por que, chefe?

- Porque ontem, após você ter pedido dispensa para ir ao "funeral" da sua avó, ela esteve aqui fazendo uma visitinha surpresa para você. Senhora simpática! Conversou com todo mundo, tomou um cafezinho, usou o banheiro...

O tamanho do mundo

Um pintinho pergunta para seu pai:

- Pai, o mundo termina ali, na cerca? O pai dá uma gostosa gargalhada e diz: 

- Não, meu filho... o mundo é muito maior do que isso. Venha, vou lhe mostrar uma coisa. 

Então o galo sobe no telhado mais alto da fazenda e leva seu filhote consigo. O menino fica admirado com aquela nova e magnífica visão do mundo e compreende porque seu pai riu tanto, pois o cercado do galinheiro (que para ele era um mundo), agora era apenas um pequeno detalhe naquela bela paisagem. 

O galo, então, todo orgulhoso, lhe pergunta:

- Está vendo aquelas montanhas lá adiante?

- Sim, papai!

- Pois é, meu filho, é lá que o mundo termina.

- Uauuuu!, exclamou o pequenino.

Verbos e Advérbios

Deus, em nossas vidas, olha mais para os advérbios do que para os verbos.

Qual a razão de tão curiosa preferência? Como explicá-lo do ponto de vista gramatical?

A resposta é fácil e não oferece a menor dúvida:

O verbo exprime a ação; o advérbio o modo como a fazemos. Por exemplo, Ele quer saber como oramos - sinceramente, confiadamente, reverentemente - e não apenas se oramos. É assim em tudo o mais: no trabalho, no amor ao próximo, na fé... Deus aprecia os advérbios porque eles que são capazes de descrever a qualidade de nossas ações.

- G.P.S

O resgate

Um garoto, muito inteligente, desenhou e em seguida construiu um lindo barquinho. Embora aparentemente frágil, o barquinho era muito bonito e funcional. Após toda a preparação, o garoto aproveitou a água da chuva para testá-lo. Atingido por um vento forte, o barquinho deslizou rapidamente pela enxurrada e seguiu por uma rua em declive, onde ganhou mais velocidade, e desapareceu. 

O menino se desesperou, correu, mas não conseguiu encontrar sua criação. Dia após dia, ele continuou procurando, mas sem sucesso. O tempo passou até que um dia, ao entrar em uma loja de artesanato, viu um barquinho que chamou a sua atenção. Era muito parecido com o seu. Foi se aproximando, até chegar bem pertinho, quando pôde constatar: era o seu barco! E estava ali à venda!. 

Ao falar com o dono da loja para ver quanto custava, o garoto descobriu que para ter o barco de volta era necessário pagar por ele uma quantia que não possuía naquele momento. Não desanimou! Pediu ao dono da loja para deixá-lo bem guardado, pois iria juntar todo o dinheiro necessário para adquirir o barquinho que ele mesmo havia feito.

Não demorou muito para que o garoto juntasse o que era preciso e, assim, foi resgatar a obra de suas mãos, pagando por ela o preço exigido. Após recebê-lo do dono da loja, disse emocionado:

— Agora você é meu duas vezes. Primeiro porque eu te fiz, e segundo porque te comprei.